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O que você
faria se um dia o seu computador tivesse um conflito de
difícil solução em plena gravação de um cliente no
estúdio? Valeria à pena adiar o trabalho por uns dias
até você mesmo ou aquele seu amigo resolver o problema,
com risco de perder o cliente? Ou seria o caso de chamar
um técnico? Mas, qual? Será que o da loja de informática
da esquina vai resolver?
Mais do que o componente principal, o computador, hoje,
é o próprio estúdio. Saber escolher modelos e
componentes, saber configurar e instalar os itens de
hardware e de software passa a ser uma questão de
sobrevivência para quem tem um estúdio.
Antigamente, os estúdios tinham técnicos de manutenção,
que todo dia alinhavam cabeçotes de gravadores e outras
brincadeirinhas essenciais. Com a migração do
equipamento para o computador, ou você se torna o seu
próprio técnico de informática ou recorre ao suporte de
um profissional especializado em áudio e MIDI no
computador.
Enquanto você não dominar os segredos da configuração
dos computadores, utilize os serviços desse técnico.
Porque não basta dominar a informática. Os que montam
máquinas de escritório não costumam saber os detalhes de
configuração dos programas e do hardware. É preciso
conhecer os componentes de um computador de áudio e suas
questões de compatibilidade. Esse profissional é um
personagem fundamental nos novos estúdios, tanto na hora
de escolher as peças e montar a máquina quanto para
mantê-la funcionando sem grandes sustos.
PC ou Mac? Os computadores que resolvem nosso
problema não são os mais baratos. Uma boa notícia é que
também não precisam ser os mais caros. Os computadores
Apple Macintosh são ótimos para aqueles que os podem
comprar. Mas os PCs modernos podem nos trazer até mais
felicidade que muitos Macs mais básicos ou antigos e são
bem mais baratos. Os processadores, os discos rígidos e
a memória dos PCs já estão bem rápidos para gravar e
processar áudio profissional e custam muito pouco em
relação à sua eficiência. Independentemente da opção por
um ou pelo outro vamos ver quais são as atribuições de
cada peça do hardware no que tange ao áudio para
escolhermos ou montarmos a configuração mais adequada.
Aliás, o Macintosh agora usa praticamente os mesmos
componentes do PC. O maior diferencial, hoje, são os
sistemas operacionais, mas este é um assunto para outro
artigo.
Sim, os tempos mudaram, as coisas andam. Hoje,
computadores bem utilizados são capazes de não travar
nunca, o que, aliás, deveria ser a obrigação de qualquer
aparelho. Mas, por outro lado, não adianta comprar
aquele PC da oferta do jornal de informática. Na hora em
que você quiser gravar som a sério, é grande a chance de
ele te deixar na mão. E o suporte técnico da loja,
então...

Configuração. Com planejamento, tendo sempre em
mente que este computador que estamos montando é o nosso
estúdio, podemos ser muito felizes. Não podemos esquecer
que o item mais crítico é nossa placa de som. Mesmo que
alguns de nós comecem com uma placa onboard ou de
multimídia, é fundamental que esta máquina seja
compatível também com nossas necessidades. Levemos
também em conta as possibilidades de expansão futuras,
como adição de memória e a troca da placa de som por
outra dedicada ao trabalho do estúdio. E essas placas
são mais exigentes quanto ao hardware.
Como tudo na informática, quaisquer especificações têm
prazo de validade de 15 minutos. Mas um PC bem
configurado pode ser útil por mais de dois ou três anos.
Componentes. Existem peças que simplesmente não
funcionam juntas. Para desfrutarmos a qualidade do som e
os recursos das melhores placas e dos melhores programas
de áudio temos que escolher bem todos os itens do
sistema. Precisamos de uma máquina poderosa, de custo
razoavelmente acessível e compatível com a maioria dos
sistemas de gravação.
Processador. A CPU (unidade central de
processamento, na sigla em inglês) deve ser muito bem
refrigerada. O cérebro do computador esquenta muito. O
problema é o barulho de certas ventoinhas ou coolers
dentro do estúdio. Quanto mais rápido for o
processamento na CPU mais plug-ins de efeitos e de
instrumentos poderão ser usados simultaneamente nas
mixagens.
Na configuração de um PC, escolha sempre um processador
entre os da Intel ou da AMD. Não precisa ser o topo de
linha, mas sim um modelo com boa relação
custo/benefício.
Cada geração de processadores desbravou uma nova
fronteira técnica. Assim, com o velho Pentium 3, o
Athlon ou o Macintosh G3 já podíamos gravar e mixar
várias pistas de áudio adicionando alguns efeitos. No
entanto, a maioria dos instrumentos virtuais ainda não
funcionava. Os seqüenciadores MIDI só trabalhavam com
teclados e racks ‘físicos’.
Com o Pentium 4, o Athlon XP ou o Macintosh G4 dava para
usar alguns instrumentos virtuais e usar uma quantidade
maior de efeitos na mixagem. O Pentium 4 HT e o Athlon
64 representaram um certo avanço. Mas ainda existiam
limitações para quantidades maiores de instrumentos ou
para sonorizar ou produzir vídeos de alta resolução.
Essas limitações foram bastante reduzidas com o Mac G5,
o Mac Pro, os Pentium D e Dual Core e os Athlon 64 FX e
X2, os processadores de duplo núcleo.
Hoje, o Core 2 Duo, o Core 2 Quad e o Core 2 Extreme da
Intel, o Athlon 64 FX e o Phenom da AMD e o Mac Pro da
Apple com processador Intel Xeon Quad-Core lidam com
grandes quantidades de programas e arquivos pesados sem
dificuldades. Fica mais fácil produzir arranjos com
dezenas de instrumentos e efeitos virtuais.
Ao escolher o processador, escolha o máximo de memória
cache que puder comprar.

Placa-mãe. É um item fundamental. O mais
importante na escolha do modelo não é exatamente o
fabricante (apesar da marca também fazer diferença), mas
sim a presença de certos componentes e sua
compatibilidade com as outras partes do sistema. Boas
marcas são a Intel (para processadores da própria
Intel), a Abit e a Asus. Fique atento para que o soquete
do processador seja compatível com a CPU de sua escolha.
Uma placa-mãe pode ter variadas quantidades de
conectores, slots e recursos onboard (que já vêm na
placa). Nas placas-mães com vídeo onboard, a memória
dedicada ao vídeo é parte da memória geral do
computador. O vídeo, no caso, “rouba” memória RAM. A
máquina fica bem lenta, incompatível com certas funções.
Escolha uma placa-mãe que tenha o slot PCI Express para
a placa de vídeo offboard.
A
peça mais importante da placa-mãe é o chipset. Ele é um
circuito integrado que administra o funcionamento de uma
placa-mãe ou de outra interface como uma placa de vídeo.
Os diversos chips que víamos nas velhas placas foram
substituídos pelo chipset, do inglês ‘conjunto de
chips’. Ele determina o que a placa-mãe faz ou deixa de
fazer, como a quantidade de slots (conectores) para as
placas de expansão, os formatos de hard disks e de
pentes de memória que ela aceita, a capacidade e a
velocidade da memória RAM, os componentes onboard,
quantos conectores USB e Firewire e assim por diante.
O chipset precisa ser totalmente compatível com o
processador. Processadores da Intel devem ser montados
em placas-mãe que tenham chipsets feitos pela própria
Intel. Já os processadores da AMD funcionam melhor com
chipsets da AMD, da nVidia ou da VIA. Um mesmo
fabricante de placas-mãe pode usar chipsets de marcas
diferentes. Então, é bom ficar atento aos modelos.
Escolha a placa-mãe com conexões suficientes para a sua
placa de som e os outros componentes que pretenda
utilizar.
Discos rígidos. O hard disk ou HD é onde
instalamos o sistema operacional, os programas e onde
gravamos e tocamos as pistas de áudio e os sons dos
instrumentos virtuais. É importante que ele seja grande
e rápido, já que o áudio usa arquivos muito pesados.
Hoje é possível rodarmos muitas dezenas de pistas em um
programa como o Sonar, o Pro Tools ou o Cubase usando
bons HDs.
A velocidade do disco determina a quantidade de pistas
de áudio que podemos gravar e reproduzir. Substitutos
dos mais lentos HDs IDE, os modelos SATA mais rápidos
são feitos pela Maxtor, pela Western Digital e pela
Seagate, a favorita nos estúdios. Prefira um HD SATA 2
de 7200 rotações por minuto com algumas centenas de
gigabytes.
Mas
é um trabalho muito pesado para um HD acessar os
comandos dos programas e do sistema operacional, ler e
gravar dezenas de pistas de áudio e outras dezenas de
sons pré-gravados dos instrumentos.
Todos os fabricantes de programas de áudio recomendam o
uso de dois HDs. No primeiro, o ‘drive C’, instalamos o
sistema operacional e os programas de gravação e edição
com seus plug-ins. No segundo disco, instalamos os sons
dos instrumentos virtuais (as chamadas 'bibliotecas' ou
'livrarias' de sons) e gravamos o áudio.
Configuramos os programas instalados no disco de sistema
para gravarem e lerem o áudio no disco de dados. É como
se o primeiro disco fosse o gravador ou o teclado e o
segundo fosse a fita do gravador ou o banco de sons do
teclado. Esse procedimento melhora em muito o desempenho
do sistema.
Se forem HDs diferentes, use o mais rápido e de maior
capacidade de armazenamento para o áudio. Não deixe de
comprar um HD com o dobro da capacidade de outro para
economizar uma pequena diferença. Dê atenção à relação
custo/benefício. Precisamos de muito espaço para
armazenar o áudio (e instalar os novos programas,
também!). Na chamada “qualidade CD” (estéreo, 16 bits e
44.1 kHz), cada minuto consome cerca de dez megabytes de
espaço em disco. Em 24 bits, são 15 mega por minuto.
Sempre que possível, use este computador somente nas
funções do estúdio para evitar conflitos de software ou
de hardware. A conexão à internet é útil para baixarmos
programas controladores das placas (os drivers), mas não
podemos ser displicentes com a segurança. O primeiro
passo é usar um bom antivírus/firewall sempre
atualizado. O segundo é nunca abrir páginas web ou
e-mails que não sejam absolutamente seguros. Outro passo
é só se conectar quando necessário. Evite infestações de
vírus, vermes e outros microorganismos virtuais, antes
que o estúdio pare.
Uma maneira – um tanto sui generis, mas bem popular nos
estúdios – de compartilharmos nosso computador/estúdio
com os usuários do
computador/escritório/serviços-domésticos/sala-de-jogos/cine-pornô
é o uso de caixinhas externas para HDs com conectores
USB 2.0. Podemos substituir nossos drives sem precisar
abrir o gabinete do computador. Ou ainda, se usarmos
três discos, na inicialização escolhemos os dois HDs
para produção ou o disco para uso geral, cada qual com
seu próprio sistema operacional e seus programas
instalados. Neste caso, configuramos o sistema para
desabilitar o(s) outro(s) disco(s).
Memória
RAM. Este é outro item crítico. Com mais memória,
podemos abrir simultaneamente um volume maior de dados.
Então, para usarmos instrumentos virtuais, efeitos,
gravação multipista, mixagem com automação, muitos
plug-ins ao mesmo tempo e também para abrir áudios e
vídeos pesados precisamos de uma grande quantidade de
memória. O ideal, hoje, em 2008, são pelo menos dois
gigabytes de memória DDR2 com clock de 667 ou 800 MHz.
Abaixo de 512 MB o trabalho com áudio pode se complicar.
A diferença mais notável é entre um e dois gigabytes.
A marca da memória também faz grande diferença no
desempenho do computador. Prefira as marcas mais
conceituadas, como Kingston e Corsair. E cuidado com as
falsificações. Os módulos ou pentes de memória devem ser
usados em pares idênticos. Siga as recomendações do
manual de sua placa-mãe ao escolher as marcas e os tipos
de memórias e ao instalá-las. Mas não economize: ponha
bastante memória.
Placa de vídeo. É um item que também pode
interferir nos recursos de produção em estúdio. Ela tem
que ser offboard, ou seja, temos que desabilitar o vídeo
integrado à placa-mãe, que compromete o desempenho da
memória.
Uma
placa de vídeo com conector PCI Express e memória de 128
MB ou 256 MB é suficiente. As que têm saídas para dois
monitores permitem um trabalho muito mais confortável e
elegante no estúdio, com os programas numa tela e os
plug-ins na outra, por exemplo. Os chipsets de vídeo
mais compatíveis com os PCs dos estúdios têm sido os da
ATI e os GeForce da nVidia. Não use placa com chipset
S3, por exemplo.
Monitor, quanto maior, melhor. E dois, melhores que um.
É muito útil abrirmos as diversas janelas dos programas
e plug-ins e vê-las simultaneamente.
Outros componentes. Os gravadores de DVD e CD
estão com o custo baixíssimo. É útil ter dois para fazer
cópias de segurança. As marcas mais usadas são Sony, LG
e Samsung.
O mouse e o teclado devem ser confortáveis e firmes. Use
mouse ótico com scroll, a rodinha entre os botões, com
ou sem fio. O mouse da Microsoft é ótimo e está com
preço bem acessível.
O gabinete deve ser grande o suficiente para ter boa
refrigeração e fácil acesso às peças. Ponha ventoinhas
ou coolers no gabinete e nos hard disks, além do cooler
do processador. Cuidado com coolers barulhentos dentro
do estúdio. Use também fontes de energia ‘reais’ e
potentes em vez das ‘nominais’ (que costumam vir nos
gabinetes) para um correto gerenciamento de energia na
sua máquina, preservando a durabilidade das peças.
É claro que seu PC estará protegido por um bom
estabilizador de tensão elétrica e um filtro de linha.
Assim que for possível, compre também um no-break.
Placas (interfaces) de áudio e MIDI com conversores de
alta qualidade e drivers ASIO e outros necessários ao
bom desempenho de nossos programas, não podem ser
substituídas, só inicialmente, por uma placa de
multimídia do tipo on board ou SoundBlaster. Mas só para
começar a praticar. Este assunto fica para outro artigo.
Conclusões. Estejamos atentos às peculiaridades e
transformações da informática musical, especialmente no
que tange ao áudio. A presença freqüente de um técnico
de informática com experiência em áudio e MIDI nos
nossos estúdios é essencial. O melhor é que, aos poucos,
cada um de nós venha a se tornar esse técnico. É ele que
não deixa nosso estúdio parar. E a internet é a melhor
escola, desde que não supervalorizemos opiniões
expressas em fóruns de discussão. Visite os sites dos
fabricantes e conheça as especificações e
compatibilidades dos diversos modelos de peças.
Não se esqueça de que estas são necessidades de quem
trabalha com áudio. Para escrever cartas e navegar na
internet, tudo fica mais fácil: quase toda máquina,
desde que funcione, serve. O problema com o áudio nesses
computadores mais populares é que eles nem sempre
funcionam.
Os links dos fabricantes citados estão
aqui.
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